Mulheres ainda enfrentam dificuldades pela equidade no esporte

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Mulheres ainda enfrentam dificuldades pela equidade no esporte

8
mar,2025

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Neste sábado (8/3) é celebrado o Dia Internacional da Mulher. Oficializada pela ONU em 1975, a data foi criada para homenagear a luta das mulheres por igualdade de direitos e contra a discriminação. No entanto, apesar de avanços em muitas áreas, o esporte ainda é um dos locais mais desiguais entre os gêneros.

Em pesquisa recente divulgada pelo site Sportico, a lista de atletas mais bem pagos do mundo em 2024 não tem nenhuma mulher entre os 100 primeiros. O ranking levou em conta salários, prêmios em dinheiro e patrocínios em modalidades como futebol, basquete, futebol americano, golfe, tênis e boxe.

O líder da classificação geral é Cristiano Ronaldo, que acumula 260 milhões de dólares em patrimônio (215 milhões de salários e 45 milhões em patrocínios). Entre as mulheres, a tenista Coco Gauff é a mais bem paga, com 30,4 milhões de dólares arrecadados. O valor deixa a americana muito longe do top 100, pois, para figurar entre os que mais receberam, ela teria que superar outros 25 atletas homens.

As dificuldades no meio, entretanto, não são exclusividade das atletas. Nos bastidores, outros tipos de profissionais também têm que lutar por espaço no esporte. Flávia Magalhães, médica com mais de 20 anos de experiência no futebol, é uma das pioneiras por conta de sua atuação em um campo majoritariamente masculino.

A doutora presidiu a Sociedade Mineira de Medicina do Esporte (SMEXE), foi uma das primeiras mulheres a atuar no futebol profissional, com passagens por clubes renomados como o Clube Atlético Mineiro e o América Futebol Clube, além de ter participado de diversas competições internacionais, acompanhando a Seleção Brasileira Feminina. Recentemente, ela lançou o livro “A insustentável leveza de ser mulher no futebol” para abordar desafios, superações e conquistas que enfrentou no meio.

“O esporte como um todo com certeza ainda é um ramo que impõe barreiras que atrapalham uma maior presença de mulheres. Ainda que tenhamos uma crescente participação feminina no meio esportivo, segue sendo um ambiente desigual, com preconceitos e falta de oportunidades. Acredito que gradualmente temos conquistado espaço e o que deve prevalecer é a capacidade do profissional, o conhecimento técnico e prático, e não o gênero”, comenta Flávia.

Ainda na saúde do esporte, Priscila Cândido, presidente da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), também compartilha da opinião de que as chances são mais raras para mulheres, especialmente para aquelas que têm que conciliar mais de uma função com as obrigações familiares.

“Para nós mulheres, eu acho importante, e sempre falo para as outras associadas, que temos sempre que estar atualizadas em estudo e trabalho, porque isso nos credita cada vez mais. Enquanto profissionais em um meio muito masculino, tivemos que mostrar mais, trabalhar mais. O importante é estar sempre pronta, abraçar a chance e fazer da melhor forma possível”, explica a profissional.

“A questão de estar mais presente em certas situações também é mais complicada para nós, mulheres. Às vezes, não conseguimos estar em eventos aos fins de semana, porque temos que dar atenção para a família e isso é mais contundente para as mulheres. Nossa disponibilidade existe, mas não é tão grande como a dos homens, que têm mais facilidade em sair e estar disponível aos fins de semana, por exemplo”, completa Priscila.

Para Sara Carsalade, co-founder e head de cultura e de pessoas da Somos Young, empresa que realiza o atendimento a sócios e torcedores de clubes como Vasco, Coritiba, Cruzeiro, Vitória e Peñarol, ainda existe um caminho a ser percorrido, mas cada vez mais existem mulheres em cargos importantes em clubes e entidades:

“É muito positivo ver mulheres ocupando posições de liderança em empresas ligadas ao esporte. É gratificante poder falar sobre o tema e, enquanto presença feminina, devemos debater os desafios que enfrentamos no mercado de trabalho com o objetivo de entender as diferentes realidades, dificuldades de cada uma e encontrar maneiras de fortalecer a participação das mulheres no meio corporativo e esportivo”, conclui Carsalade.

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